AGK Corretora de Câmbio S.A.
INFORMATIVO ECONÔMICO DE 10 DE FEVEREIRO DE 2010
TENDÊNCIA PARA OS MERCADOS NESTA QUARTA-FEIRA
Ontem, os mercados financeiros globais operaram com viés negativo, pressionados pela incerteza com relação a como a União Europeia (UE) vai solucionar os problemas da dívida da Grécia e de outros países membros.
O suspense em relação à situação da Grécia durou até o final do dia, quando a União Europeia confirmou que os países europeus darão ajuda aos gregos, sem revelar, entretanto, detalhes sobre o acordo. "Temos de dar suporte à Grécia, isso está claro, e é a Europa e o Eurogrupo que farão isso", disse o primeiro-ministro da Espanha, Jose Luis Rodriguez Zapatero, que exerce a presidência rotativa do bloco. Boa parte dos mercados já estava fechada quando a confirmação saiu e os que ainda operavam reagiram timidamente.
O euro, por exemplo, se valorizou somente um pouco com a confirmação oficial da EU e fechou em queda frente ao dólar em Nova York, sendo pressionado pelos comentários do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, sobre o provável rumo de aperto no crédito que os EUA irão tomar quando a economia se recuperar.
Em depoimento preparado para uma audiência em um comitê da Câmara, Bernanke disse que a taxa de redesconto pode subir em breve. Esta é a taxa cobrada pelo banco central nos empréstimos de emergência para bancos. Ele também disse que a taxa de juro que o Fed paga sobre o excesso de reservas dos bancos pode se tornar o principal instrumento do banco para apertar o crédito.
No final da tarde em Nova York, o euro estava em US$ 1,3734, de US$ 1,3779 na véspera; o iene estava em 89,96 por dólar, de 89,63 por dólar; a libra estava em US$ 1,5593, de US$ 1,5700 no dia anterior. No câmbio doméstico, o dólar vagou sem rumo definido e encerrou em leve alta, alinhado ao comportamento externo e acusando também um pouco de ajuste à queda recente.
Ante o real, o dólar à vista fechou a R$ 1,849, com uma alta de 0,11%, em um dia em que a máxima foi de R$ 1,8590 e a mínima de R$ 1,8390. No mês, o dólar acumula queda de 1,91%, mas, no ano, ainda tem alta de 6,08%.
Os principais índices do mercado de ações dos EUA fecharam em leve queda. O Dow Jones caiu 20,26 pontos, ou 0,20%, para 10.038,38 pontos e o S&P 500 perdeu 2,39 pontos, ou 0,22%, para 1.068,13 pontos. A Bolsa brasileira teve um pregão volátil, mas acabou fechando com ganhos, de volta aos 65 mil pontos.
O Ibovespa terminou o dia em alta de 0,51%, aos 65.051,42 pontos. Na mínima, registrou 64.320 pontos (-0,61%) e, na máxima, os 65.170 pontos (+0,70%). No mês, tem perdas de 0,53% e, no ano, de 5,16%.
E, nesta quinta-feira, os mercados devem iniciar com sinais positivos, porém ainda cautelosos à espera de que chefes de Estado, em Bruxelas, divulguem detalhes do plano de socorro à Grécia. Além disso, os investidores avaliarão e reagirão também ao PIB do quarto trimestre da Espanha, aos dados da China e as vendas no varejo dos Estados Unidos.
Assim, se o conjunto de notícias for favorável, os mercados internacionais deverão se firmar no terreno positivo ao longo do dia e, com isso, o dólar pode voltar a operar de forma um pouco mais consistente abaixo de R$.1,85 e o Ibovespa acima dos 65 mil pontos. Ao contrário, se a combinação de dados
continuar trazendo preocupações aos investidores globais quanto ao cenário, o viés negativo deve voltar a predominar e o dólar deve voltar a operar entre os R$.1,86 e os R$.1,88, enquanto o Ibovespa deve retornar para baixo dos 65 mil pontos.
Câmbio doméstico – cenário de curto e médio prazos
O clima de tensão registrado nos mercados em decorrência das questões fiscais em alguns países da Europa, e que levou o euro para perto de US$.1,36 na semana passada e a cotação do câmbio doméstico para perto de R$.1,90 / US$, também se refletiu nas projeções de curtíssimo, curto e médio prazo dos players.
Muitos já estimam que o euro poderá se aproximar de US$.1,30 e o real a R$.1,95 no curto prazo.
Em nossa avaliação, além dos fatores estruturais, especialmente os externos, a determinação da taxa de câmbio deste ano dependerá também da postura do governo em relação ao câmbio, como as compras do Banco Central e a utilização do Fundo Soberano como fator de política cambial.
Além disso, quando os debates eleitorais ficarem mais tensos, o que deve ocorrer de meados de junho até o início de setembro, a taxa poderá oscilar mais perto do patamar de R$ 1,95/US$, já que o câmbio poderá ser um dos temas de campanha da oposição. Mas, depois, com o posicionamento de não-ruptura do futuro novo presidente, deverá voltar a valores entre R$ 1,75/US$ e R$ 1,85/US$ até o final do ano.
Renda Fixa Local
Hoje, não há indicadores relevantes na agenda doméstica e, portanto, a curva a termo deve oscilar pouco.
Miriam Tavares
AGENDA ECONÔMICA DESTA QUARTA-FEIRA
Cenário Internacional
Estados Unidos
11/02 11h30 Vendas no varejo (janeiro) 0,3% Dez: -0,3%; Nov: +1,8%
Na quinta-feira, será conhecido o indicador mais relevante da semana, o de vendas no varejo de janeiro. Os dados devem mostrar que as vendas no varejo dos EUA cresceram em janeiro, após terem encolhido em dezembro. Grandes redes varejistas anunciaram que as vendas de lojas abertas há um ano ou mais cresceram 3,3% no mês passado.
A expectativa de mercado é de crescimento de 0,3% m/m tanto para o total como para as vendas excluindo automóveis. Caso essa expectativa seja confirmada, a média dos últimos 12 meses, em comparação com os 12 meses anteriores ficaria em -4,9%, melhor resultado em oito meses.
Europa
11/02 06h00 Espanha PIB (4º trimestre) - 0,1%t/t; -3,0% a/a 3º Trim: -0,3% t/ t; - 4,0% a/a
China
11/02 00h00 China PPI (janeiro) - Dez: +1,7% a/a
11/02 00h00 China CPI (janeiro) 2,1% a/a Dez: +1,9% a/a
n/d China Oferta monetária (M2) – Jan - Dez: +27,68% a/a
Os dois grandes temores, de bolhas na economia e de aceleração inflacionária, não devem ser dissipados com os dados da semana. Neste sentido, os empréstimos do setor financeiro ainda deverão se manter relativamente altos e outras medidas de aperto que poderão ser tomadas. Ao mesmo tempo, a inflação continua se acelerando, não só por conta dos preços de alimentos. O índice de preços ao consumidor (IPC), que se manteve no terreno negativo por grande parte de 2009, já se tornou positivo. O mesmo vale para o IPC excluindo alimentos que estão sinalizando que as pressões de preços são
relativamente disseminadas. A expectativa do mercado é que esses movimentos continuem em janeiro, com o IPC cheio se acelerando na margem, de 1,9% a/a em dezembro para 2,1%.
Cenário Doméstico
Não há indicadores relevantes na agenda doméstica.
Fonte: AE Broadcast/Tendências Consultoria
DESTAQUES ECONÔMICOS DO DIA ANTERIOR
Cenário Internacional
Estados Unidos
A balança comercial americana registrou um déficit de -US$ 40,2 bilhões em dezembro do ano passado, ficando pior que o consenso de mercado (-US$ 35,8 bilhões) e o resultado de novembro (-US$ 36,4 bilhões). Com esse resultado, os Estados Unidos fecharam 2009 com um saldo negativo de -US$ 380,8 bilhões, quase a metade do verificado em 2008 (-US$ 696 bilhões). Essa melhora nas contas externas tem relação direta com a queda da corrente de comércio no mundo - verificada no ano passado - e é reflexo da piora da demanda americana, que empurrou as importações muito para baixo. Na abertura dos dados, a variação do preço do petróleo, como de costume, foi o setor que mais chamou atenção. O preço médio do barril importado passou de US$ 72,54 para US$ 73,20. A quantidade de barris também cresceu, empurrando as importações da commodity para cima.
O setor externo teve importante impacto positivo sobre o PIB americano em 2009, especialmente nos dois primeiros trimestres, que foram marcados por grande melhora do saldo comercial.
Em seu depoimento sobre a estratégia da saída do Federal Reserve, o presidente da instituição, Ben Bernanke, destacou que o processo de redução da liquidez criada durante a crise já está em curso e que, na medida em que a economia mostrar-se sólida, dará início ao processo de aperto da política monetária, algo, inclusive, que não parece próximo.
Do lado das linhas de crédito especiais criadas durante a crise, ressaltou que muitas das linhas especiais já foram extintas ao longo de 2009, conforme os mercados financeiros mostraram-se mais estáveis, e ainda que algumas destas linhas estão terminando agora no começo deste mês, e outras como TAF e TALF, ao final de março. Do total de crédito disponibilizado - US$ 1,5 trilhão ao final de 2008 - tem-se hoje a mercado US$ 110 bilhões.
Do lado do aperto da política monetária, assinalou que tem vários instrumentos para começar o aperto da política monetária, destacando a utilização do pagamento de maiores juros sobre as reservas que os bancos mantêm junto ao banco central, como forma de pressionar a estrutura a termo de juros, especialmente de curto prazo para cima. Neste contexto, inclusive, colocou que o spread entre esta taxa e a taxa básica de juros pode aumentar, tornando temporariamente a primeira uma referência mais importante do que a taxa básica de juros.
Além disso, com o intuito de aperto de política monetária, pode também reduzir as reservas bancárias e, para isso, pode fazer uso (a) das operações compromissadas, (b) de leilões de "term deposits", instrumento similar a um certificado de depósito, e finalmente (c) de vendas de ativos que constam no balanço do próprio Fed.
Apesar de dar mais detalhes sobre sua estratégia de saída, não sinalizou que o início está próximo, inclusive, utilizou mais uma vez em seu discurso a frase que diz que as taxas de juros devem permanecer baixas por um período ainda longo de tempo.
Europa
O Banco Central da Inglaterra, no relatório de inflação divulgado ontem, manteve o tom cauteloso com as perspectivas de crescimento do país nos próximos trimestres, explicitando que a força da recuperação é "altamente incerta" devido ao cenário que atualmente vigora na economia local e na Europa como um todo. Além disso, o BOE também afirma que a recente elevação do índice de preços ao consumidor foi puxada por "ajustes que terão impacto temporário" e que, no médio prazo, a tendência para a inflação é de ficar abaixo dos 2% ao ano - que é a meta do Banco Central local para o CPI. A respeito do pacote de compra de ativos, o presidente do BOE, Mervyn King, voltou a afirmar que ainda não há perspectivas para o término das aquisições.
A desvalorização da libra, em conjunto com a flexibilização da política monetária e a retomada da demanda global, é apresentada como um importante fator de auxílio para a atividade inglesa, ajudando a corroborar as apostas de que os juros devem continuar inalterados por um longo período de tempo.
China
Sai a balança comercial de janeiro.
Cenário Doméstico
São Paulo, 10 - O resultado do movimento cambial da primeira semana de fevereiro, que apontou superávit de US$ 1,9 bilhão, surpreende pelo elevado volume de divisas de origem financeira (US$ 1,5 bilhão, liquidamente) em uma semana de bastante volatilidade nos mercados. Pelo lado comercial, o saldo foi de US$ 400 milhões, totalizando um fluxo cambial robusto, neste início de fevereiro, mas com uma composição que indica ainda uma dinâmica frágil do câmbio comercial, alinhado aos resultados igualmente ruins da balança comercial física. Ao longo de fevereiro, no entanto, os saldos comerciais podem começar a mostrar alguma recuperação, enquanto o lado financeiro deverá continuar concentrando a entrada de divisas.
10, 9:22 Tendências On-Line: IGP-M: IPC E IPA INDUSTRIAL GERAM FORTE PRESSÃO SOBRE INFLAÇÃO
São Paulo, 10 - A primeira prévia do IGP-M de fevereiro mostrou inflação de 0,98%, registrando um forte avanço em relação à observada no mesmo período do mês anterior (0,27%). Este resultado veio acima da nossa projeção (0,75%), mas dentro das expectativas de mercado pesquisadas pela Agência Estado, que variavam de 0,43% a 1,14%.
A principal surpresa foi a pressão significativa do IPA industrial (1,81% ante 0,36% na primeira prévia de janeiro), que acompanhou a aceleração dos produtos alimentícios e dos produtos derivados do petróleo, além da recuperação de preços dos produtos químicos. Além desses fatores, a elevada inflação observada nos IGPs é explicada pelo pior desempenho do IPC (0,75% ante 0,40%), que reflete os impactos dos reajustes das mensalidades escolares, da tarifa de ônibus urbano em São Paulo e da alta de preços do álcool combustível.
O avanço da inflação só não foi mais intenso por conta da queda mais forte do IPA agrícola (-0,88% ante -0,09%), influenciado pelo movimento de preços da soja (-10,63% ante -3,50%). (Gian Barbosa e Rafael Bacciotti)
10, 11:00 Tendências On-Line: INDÚSTRIA: INDICADORES DA CNI CONTINUAM MOSTRANDO RECUPERAÇÃO
São Paulo, 10 - A CNI divulgou os indicadores industriais de dezembro. Os dados continuaram mostrando a recuperação do setor, ainda que gradual, dos efeitos negativos da crise. Essa trajetória mais moderada já vem sendo sugerida pelos resultados observados na produção industrial.
O NUCI avançou 0,04 p.p. em relação a novembro, considerando os dados com ajuste sazonal (81,7% em dezembro ante 81,3% em novembro). Vale destacar que o NUCI (Nível de Utilização da Capacidade Instalada) ainda está abaixo do patamar pré-crise (83,0% em setembro de 2008) e sua trajetória de recuperação vem acontecendo de maneira bastante gradual nos últimos meses, o que ainda não preocupa o cenário para a inflação. A indústria ainda opera com capacidade ociosa remanescente.
O emprego no setor continuou em expansão pelo sexto mês (+1,7% entre novembro e dezembro, em termos dessazonalizados). O indicador de faturamento real também registrou um desempenho bastante favorável (+3,5% na mesma comparação). Após 3 meses seguidos de alta, o número de horas trabalhadas mostrou ligeira queda de 0,4%.
Na média de 2009 contra 2008, o emprego na indústria caiu 3,9%. Nas vendas reais, a queda foi mais intensa (-4,3%) e ainda maior no número de horas trabalhas (-7,6%). (Bernardo Wjuniski e Rafael Bacciotti)
10, 16:45 Tendências On-Line: INDÚSTRIA: CUT CONTINUA EM QUEDA E CONTRIBUI PARA NÃO GERAR INFLAÇÃO
São Paulo, 10 - O custo unitário do trabalho (CUT), calculado pela razão entre a folha de pagamento real (da PIMES) e a produção industrial (da PIM), mostrou queda de 3,4% entre novembro e dezembro, em termos dessazonalizados. Este resultado está associado à queda mais intensa da folha de pagamento real (-3,7%) se comparada à observada na produção no mesmo período (-0,3%).
Ao olharmos a evolução em 12 meses do CUT, é nítida sua trajetória ascendente com o início dos impactos da crise, já que os ajustes da produção foram observados imediatamente. A partir de outubro de 2008, sua variação acumulada em 12 meses estava em 0,44% e avançou até setembro de 2009 (+11,80%). Simultaneamente, a produtividade recuou de maneira significativa (3,32% em outubro de 2008 para -5,79% em setembro de 2009). Esse processo ocorreu já que a queda na produção foi muito maior do que a redução do número de trabalhadores, pois, devido aos elevados custos de demissão, as empresas preferiram preservar seus quadros mesmo com queda na produção.
Com a retomada da atividade industrial, a partir de outubro de 2009 é possível observar a reversão desse processo, ou seja, o CUT começando a recuar (11,43% em outubro, 9,71% em novembro e 4,46% em dezembro) e a produtividade se recuperando (-5,53% em outubro, -4,33% em novembro e -1,90% em dezembro). As indústrias passaram a reutilizar a ociosidade que existia no seu fator trabalho.
Apesar das quedas observadas na produção industrial nas duas últimas divulgações (-0,8% em novembro e -0,3% em dezembro), esperamos que a produção volte a crescer nos próximos meses, juntamente com a continuidade desse processo de redução da CUT e elevação da produtividade. Nossa projeção preliminar para a PIM é de uma alta de 1,5% entre dezembro e janeiro, em termos dessazonalizados.
Essa retomada ainda não trás preocupações para o cenário de inflação nos preços industriais, uma vez que, do lado do fator trabalho, a produção justamente pode crescer via esse espaço para aumento de produtividade, que ainda se encontra abaixo do patamar pré-crise, sem forçar pressões inflacionárias. Adicionalmente, do lado do fator capital, a indústria opera com capacidade ociosa remanescente (NUCI atual também está abaixo do pré-crise), o que também contribui para não gerar pressões inflacionárias. (Bernardo Wjuniski e Rafael Bacciotti)
Fonte: AE Broadcast/Tendências Consultoria
Elaborado por Miriam Tavares - Diretora de Câmbio
AGK Corretora de Câmbio S.A.
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